A construção de um Presidente

 

Depois de anos de oposição ao governo federal, e de críticas ao seu modelo financeiro e social, em 2002 vence, pela primeira vez, um candidato do partido dos trabalhadores as eleições presidenciais no Brasil. Para se eleger, entretanto, o então candidato Luis Inácio Lula da Silva aliou-se a diferentes frentes, e o medo de determinada parcela da população brasileira e de lideres mundiais foi logo substituída por uma política econômica que em nada se alterou em relação à aplicada pelos governos anteriores, e que talvez tenha sido a grande conquista econômica para o país. Inquestionavelmente, a política econômica implantada pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso, foi bem sucedida e possibilitou que o país crescesse durante os últimos 12 anos, com uma estabilidade e confiança estrangeira sem precedentes na historia do país.  Foram 8 anos de governo e grandes mudanças na área social. Programas bem implantados, que beneficiaram parte do país que de certo modo estava esquecida ou deixada de lado e que, então, encontrou apoio em um governante carismático e envolvido com as causas sociais. A partir disso, muito se discute a eficiência e eficácia dessas políticas, baseando-se no ditado “Dar o peixe, ou ensinar a pescar?”. É evidente a necessidade de alimentar e dar as condições básicas de sobrevivência aos cidadãos, e que essa é uma condição básica para que os mesmos possam lutar por seus objetivos e autonomia. Mas como passar de uma política meramente assistencialista para uma política efetiva de melhora do bem estar da população mais carente? O governo Lula não conseguiu responder a esse pergunta. Além disso, e mesmo em plena evolução do processo democrático brasileiro, algumas recentes atitudes do governo petista tomaram um tom diverso daquilo que se esperava. Ao longo de toda administração, inúmeros escândalos de corrupção e tráfico de influência envolvendo agentes do governo foram descobertos, alguns com repercussão mundial, como o caso do “mensalão”. A reação que vem sendo demonstrada pela cúpula petista e aliados frente às assombrosas descobertas é de uma total violação ao estado democrático de direito e a liberdade de imprensa, que consistem na tentativa de censura da imprensa em divulgar os casos de corrupção.  A principal estratégia do governo consiste em criar conselhos de comunicação para cercear os meios de comunicação e ferir a liberdade de imprensa. A própria Constituição Federal é clara em dizer que não pode haver qualquer tipo de restrição aos meios de comunicação, no entanto, o Congresso de alguns estados brasileiros já aprovou projetos de lei para criar conselhos de fiscalização de conteúdos midiáticos.   Felizmente, ganha força no país a reação contra tais práticas desprezíveis que prejudicam não só a imprensa, mas a sociedade como um todo. Apoiada por instituições paraestatais e associações como: Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) e Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert), a sociedade pretende lutar pela tutela desse bem tão valioso, caso se dê andamento aos projetos de lei totalmente inconstitucionais. E por que em um texto sobre as eleições desse domingo em que uma mulher finalmente tornou-se presidente de um país que é visto por muitos como uma potencia e por alguns como uma realidade, focamo-nos tanto em um governo anterior? O que acontece é que a recém eleita presidente é vista como uma marionete do partido ou de Lula e que não possui um projeto claro de governo. Nesse sentido, o que se gerou foi uma dúvida, assim como quando o antecessor se elegeu, de como será o próximo governo e de como alguém que nunca havia sequer concorrido a uma eleição pôde tornar-se presidente e subir ao poder com tanta facilidade. Esperamos, pois, que a Presidente eleita Dilma Rousseff busque a preservação da liberdade de imprensa e assegure a cada cidadão o direito de ter conhecimento a todo tipo de informação. Além disso, deve ser reconhecida a boa atuação diplomática do presidente Lula e do Itamaraty junto a demais países não só da America Latina, como também das demais nações, e como o Brasil hoje se destaca no cenário internacional em questões de diplomacia. Nesse sentido, para uma maior expansão da America Latina, faz-se necessária uma maior união entre os países membros, e nada mais lógico de que o país mais desenvolvido desse bloco inicie esse processo. Nesse sentido ainda, vale ressaltar a importância de que a governante do país mantenha uma política bem definida e estruturada para poder atuar junta a países vizinhos e se solidarizar, quando preciso, para auxiliar em processos de reestruturação econômica, política e social, e, ao mesmo tempo, poder se impor em assuntos de interesse para a região, como no caso das FARC´s colombianas. O governo brasileiro tem adotado uma postura que desconsidera a facção como organização terrorista, o que pode provocar certa desconfiança pela comunidade internacional, que apresenta um posicionamento claro de desaprovação aos atos da mesma. Desse modo, não só há o problema de violência, mas também no aspecto econômico em que perde-se a possibilidade de primover um maior desenvolvimento regional a partir de investimentos estrangeiros nesses países. "A política é talvez a única profissão para a qual se pensa que não é preciso nenhuma preparação". (Robert Louis Stvenson)